Não é só em novembro! Não é só em novembro que jovens negros são assassinados em todo Brasil. Não é só em novembro que pessoas negras conseguem menos empregos e, quando conseguem, com salários mais baixos. Não é só em novembro que jovens negros(as) tem menor chance de terminar as etapas do ensino.

Se não é só em um mês que tudo isso acontece, não podemos parar pra falar sobre esse problema somente um mês por ano. Todo novembro, organizações, empresas, universidades e até a imprensa falam mais sobre o mar de problemas que envolve o racismo que está no dia a dia do Brasil. Isso é muito positivo, porque precisamos falar e reconhecer o problema para resolver. Entretanto, um mês por ano é muito pouco para um problema de tantos séculos!





Por isso, a REAJU (Rede Articula Juventudes) quer reunir pessoas dispostas a agir durante todo o ano! A REAJU é um coletivo formado por representantes de diversas organizações, que discutem, refletem e fomentam a construção e a melhoria da qualidade das políticas públicas para juventude. Segundo o Atlas da Violência 2019, o maior índice de assassinato no Brasil é de negros (73,1% para homens e 63,4% para mulheres) e jovens (53,9%). Por isso, esse assunto é urgente!

SE VOCÊ TAMBÉM QUER AGIR DURANTE TODO O ANO, INSCREVA-SE E ACOMPANHE AS AÇÕES DA REAJU CONTRA O RACISMO!

Reaja contra o racismo durante todo o ano!

 Pessoas reagiram contra o racismo
Jordy Moura Silva, 15 anos, negro e morador do Jardim Monte Cristo. Morto por um homem da Guarda Municipal (GM) de Campinas no dia 5 de abril de 2020, enquanto participava de um rolezinho de motos com um grupo de amigos.

Baixe o card e coloque em seu perfil nas redes sociais! Fortaleça o discurso antirracista nas ruas e redes #JusticaParaJordy #VidasNegrasImportam

Em junho de 2020, presenciamos a reação de indignação e tristeza à morte de George Floyd, homem preto que foi morto de forma extremamente brutal por um policial branco nos Estados Unidos, gerando comoção e indignação nas ruas e nas redes de todo o mundo.

Pedro Gonzaga, Claudia Ferreira, Jordy Moura e centenas de outra vidas negras mortas no país em decorrência do racismo estrutural presente na nossa sociedade, também foram lembrados em decorrência do movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam).

Apesar de junho ter sido um mês em que o tema racial foi amplamente discutido, o ativismo antirracista é uma oportunidade para mobilizar e combater o discurso racista ainda presente na sociedade. O antirracismo não pode ficar só em junho, nem só em novembro!

Ilustração: Márcio Folha







Ilustração: @marciofolha7
Arte: @jonatasak
5ª Semana das Juventudes
A Semana de Juventudes celebra o Dia Internacional da Juventude, instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1999 e no Brasil em 2002, anualmente, no dia 12 de Agosto o Dia da Juventude.

PROGRAMAÇÃO:
10/08/2020 - 18h00
Live: Próximos Passos da REAJU

11/08/2020
Live: Trabalho e Juventudes: Aprendizagem profissional e outras realidades sobre o trabalho na vida das Juventudes.

12/08/2020 - 17h30
Live: Decolonizando pensamentos e imaginários: jovens negras cuidando de si.

13/08/2020 - 19h00
Live: Juventudes e expressão: conversas com jovens da Agência Mandinga de Favela.

14/08/2020 - 16h00
Live: Diversidade e Curiosidades. Conhecendo e reconhecendo o corpo.

15/08/2020
II Sarau de Enfrentamento ao Racismo
10h30 – Abertura do Sarau
11h00 – Roda com Jongo Dito Ribeiro
14h00 – Live 1 - Diálogos sobre lutas cotidianas, trabalho, juventudes e política: mulheres pretas no Brasil
16h00 – Live 2- Mulheres Afro Latino – Americanas: Interculturalidade e experiências no Brasil
19h – EmPretecendo - Live livre (ao vivo)




Se o racismo não para, nós também não podemos parar! Não é só em novembro, mês da consciência negra, que devemos nos lembrar do racismo estrutural. É preciso reagir contra o racismo e o genocídio da juventude negra todos os dias.

Por isso, no dia 20 de junho de 2020 a Rede #NóisPorNóis, REAJU (Rede Articula Juventude) e Movimento das Minas realizaram o I Sarau de Enfrentamento ao Racismo, com lives o dia todo nas rede sociais discutindo o tema racial com debates, poesias, desenhos, músicas, vídeos.





(FONTE)
"Há o triplo de negros entre os 10% com menores rendimentos per capita no Brasil do que entre o seleto grupo dos 10% com maiores rendas. A constatação está no informativo "Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil", divulgado hoje pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que aponta como pretos e pardos trabalham, estudam e recebem menos que os brancos no país. A designação de pretos e pardos é utilizada pelo instituto.

Segundo o levantamento, 55,8% da população em 2018 se declarou preta ou parda (a soma das duas raças resulta nos negros). Entretanto, no estrato dos 10% com maior rendimento per capita, os brancos representavam 70,6%, enquanto os negros eram 27,7%. Entre os 10% de menor rendimento, isso se inverte: 75,2% são negros, e 23,7%, brancos."




"Mortalidade de recém-nascidos antes dos seis dias de vida, infecções sexualmente transmissíveis, mortes maternas, incluindo óbitos por abortos sépticos — quando o feto não é eliminado completamente causando infecção —, hanseníase e tuberculose. Estes são alguns dos problemas de saúde evitáveis mais frequentes entre a população negra, tanto em comparação ao contingente branco quanto em relação às médias nacionais, alertaram as Nações Unidas." (FONTE)
Suicídio
+12% e 45%





12% foi a variação na taxa de suicídio de jovens negros entre 2012 e 2016. O risco na faixa etária de 10 a 29 anos foi 45% maior entre jovens que se declaram pretos e pardos do que entre brancos no ano de 2016. (FONTE) (FONTE 2)
ISTs
55%





Segundo o Ministério da Saúde, 55% dos casos registrados de Aids em 2016 ocorreram em pessoas negras e 43,9% em brancas. Os óbitos pela doença também afetam mais negros (58,7%) que brancos (40,9%). A realidade se repete em outras doenças sexualmente transmissíveis.
SUS
80%





Segundo o Ministério da Saúde, atualmente, 80% da população que só tem o SUS como plano de saúde é negra. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde (2015), das pessoas que já se sentiram discriminadas nos serviços, por médicos ou outros profissionais de saúde, 13,6% destacam o viés racial da discriminação.



"Em resumo, constatamos em mais uma edição do Atlas da Violência a continuidade do processo de profunda desigualdade racial no país, ainda que reconheçamos que esse processo se manifesta de formas distintas, caracterizando cenários estaduais e regionais muito diversos sobre o mesmo fenômeno. Portanto, pelo que descrevemos aqui, fica evidente a necessidade de que políticas públicas de segurança e garantia de direitos devam, necessariamente, levar em conta tais diversidades, para que possam melhor focalizar seu público-alvo, de forma a promover mais segurança aos grupos mais vulneráveis." (FONTE)

2,7x MAIS





Segundo o Atlas da Violência 2019, para cada 1 pessoa não negra assassinada em 2017, aproximadamente, 2,7 negros foram mortos.
3/4





Segundo o Atlas, 75,5% das pessoas assassinadas no Brasil em 2017 eram negras, ou seja, 3 em cada 4 homicídios. Pra piorar, os dados mostram que a proporção está aumentando. Em 2007, essa mesma proporção era de 63,3%.
23 MIN





Segundo a CPI sobre Assassinato de Jovens do Senado, um jovem negro é assassinado no Brasil a cada 23 minutos. (FONTE)




"Mulheres negras, no pós-abolição, sem acesso a oportunidades e políticas do Estado, saíram da condição de escravizadas para o trabalho doméstico. Essa relação direta entre a escravidão —considerada um crime contra a humanidade, segundo tratado assinado pelo Brasil na Conferência de Durban de 2001— e os tempos atuais é patente. Essa divisão social, racial e de gênero do trabalho confinou a mulher negra no mercado informal, sobretudo no serviço doméstico, contribuindo para o que se conhece como “feminização da pobreza”." (FONTE)
Homicídio
54%





Dados do Mapa da Violência denotam aumento de 54% nos homicídios de mulheres negras, enquanto o assassinatos de brancas caiu 9,8%.(FONTE)
Estupro e ISTs
37%





Em 2014, o estudo “Estupro no Brasil: uma radiografia segundo os dados da Saúde”, feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), mostrou que quando estupradas, as mulheres negras têm 37% mais chances de contrair doenças sexualmente transmissíveis do que as brancas.
Índice de Vitimização Negra
22,3% -> 66,7%





A distância relativa entre as taxas de vítimas brancas e negras, é o índice de vitimização negra (diferença percentual entre as taxas de homicídio de mulheres de ambos os grupos.) Em 2003, era de 22,9%, isso é, proporcionalmente, morriam assassinadas 22,9% mais negras do que brancas. Em 2013, chegou a 66,7% (FONTE)